Blog Tudo e Todas

Cinco escritoras que todo mundo deveria ler

Literatura por: Rosana Wessling em: 29/03/2019 | 14:13

A literatura está repleta de nomes importantíssimos no Brasil e exterior. Quando começamos a falar de livros, alguns nomes masculinos surgem instantaneamente em nossas mentes. Porém, esquecemos que muitas mulheres tiveram e têm tido um papel fundamental na literatura.
Ao encontro disso, o Tudo & Todas convidou a professora de Língua Portuguesa e Literatura Pamella Tucunduva da Silva, especialista em Literatura Brasileira e mestre em Leitura e Cognição, para indicar cinco de escritoras que marcam a história da literatura e inspiram leitores pelo mundo. Confira as dicas de Pamella e boa leitura!

Foto: Arquivo Pessoal / DivulgaçãoPamella é professora e apaixonada pela leitura
Pamella é professora e apaixonada pela literatura

1 - Lygia Fagundes Telles

Lygia é uma escritora paulista de 95 anos considerada 'a primeira-dama da literatura brasileira'. Foi a primeira e até agora única brasileira indicada ao Nobel de Literatura, em 2016. Vencedora de diversos prêmios, muitos de seus livros já foram adaptados para a televisão, como 'Ciranda de pedra' (1954). Ela escreve romances e contos sobre amor, morte, medo, loucura e fantasia. Particularmente, adoro seus contos, sempre instigantes, impactantes e, por vezes, inquietantes. Todos deveriam ler a Lygia primeiro porque ela é brasileira, e ler em nosso idioma sempre é uma experiência muito mais rica, pois independe de traduções e adaptações, em que comumente se perde algo em experiência literária. Segundo porque sua escrita é atrativa, envolvendo o leitor no texto em tramas inteligentes e curiosas. Terceiro porque a Lygia trata de temas universais, que nos falam a todos nós, porque nos identificamos com eles. Portanto, lê-la é um prazer delicioso e necessário. Para começar, indico os contos 'Venha ver o pôr do sol' e 'Natal na barca'.

Foto: Renato Parada / VEJA São PauloA paulista Lygia é a única brasileira indicada ao Nobel de Literatura
A paulista Lygia é a única brasileira indicada ao Nobel de Literatura

2 - Eliane Brum

Eliane nasceu aqui pertinho, em Ijuí, e tem 52 anos. Vencedora de inúmeros prêmios, a jornalista, escritora e documentarista escreveu durante anos para o jornal Zero Hora e para a revista Época. Pela formação e experiência jornalística, a escrita de Eliane é direta, penetrante e comovente. Entre tantas obras, é autora do belíssimo 'A menina quebrada' (2013), uma coletânea de 64 de suas melhores crônicas, ganhadora do Prêmio Açorianos de Melhor Livro do Ano. Conheci a Eliane na época do mestrado e, desde então, leio sempre que possível. As pessoas deveriam lê-la porque seus livros impactam e promovem a reflexão sobre o mundo e a sociedade, sob uma perspectiva racional e, ao mesmo tempo, repleta de sensibilidade e empatia. O olhar de Eliane é detalhista, sincero e sensitivo. Vale muito a pena a experiência, especialmente para aqueles que preferem uma linguagem mais contemporânea e objetiva.

Foto: Divulgação / ReproduçãoA gaúcha Eliane Brum é uma jornalista, escritora e documentarista brasileira
A gaúcha Eliane Brum é uma jornalista, escritora e documentarista brasileira

3 - Elena Ferrante

Conheci a literatura da Elena por meio do meu sobrinho, que me comentou sobre como havia gostado de um de seus livros, 'Dias de abandono' (2002). Fiquei com o nome em mente e, então, em uma das feiras literárias de Porto Alegre, reconhecendo-a à disposição numa das prateleiras, comprei 'Um amor incômodo' (1992), uma história como o próprio nome diz, 'incômoda', sobre uma relação perturbadora entre mãe e filha. Depois, li 'A filha perdida' (2006) e fiquei perplexa com a narrativa aparentemente tranquila e lúcida, que logo se converteu num conflito psicológico bem típico de suas protagonistas (mães, filhas, esposas, divorciadas, idosas, jovens...). Curiosamente, ninguém sabe quem é Elena Ferrante, porque é um pseudônimo. Há especulações de que seja uma italiana tradutora. Mesmo no anonimato, Elena deve ser lida porque suas obras falam do feminino, dos conflitos desse gênero, abordando questões com as quais nem sempre nos sentimos muito confortáveis, mas que permanecem presentes em nosso íntimo. Ler Elena é mergulhar em águas profundas e emergir com reflexões primordiais e urgentes.

Foto: Divulgação / ReproduçãoElena Ferrante é o pseudônimo de uma escritora italiana, cuja identidade é mantida em segredo
Elena Ferrante é o pseudônimo de uma escritora italiana, cuja identidade é mantida em segredo

4 - Jane Austen

Difícil encontrar alguém que nunca tenha ouvido falar dessa escritora inglesa que viveu entre os séculos 18 e 19. Mesmo quem não tenha lidos seus livros, certamente já assistiu a uma de suas adaptações homônimas para o cinema: 'Orgulho e preconceito', 'Razão e sensibilidade', 'Emma', entre outros. Existe até um filme, belíssimo, chamado 'O clube de leitura de Jane Austen' (2007), que reúne leitoras a fim de discutirem a extensa e adorada obra da autora. Por que ler Jane Austen? Para se apaixonar! Os enredos de suas obras são sempre muito arrebatadores e românticos, sendo impossível não suspirar de amores durante a leitura. A escrita é antiga, por isso é importante ler uma boa tradução ou adaptação. Independentemente disso, contudo, suas narrativas apaixonantes e avassaladoras são capazes de inspirar corações, além de nos contarem um pouquinho sobre a vida na Inglaterra daquela época, bem como sobre o papel social da mulher no mesmo período.

Foto: Stock Montage / Getty ImagesRetrato de Jane feito com base em uma ilustração da irmã da escritora
Retrato de Jane feito com base em uma ilustração da irmã da escritora

5 - Chimamanda Ngozi Adichie

Essa nigeriana de 41 anos é uma das escritoras feministas de maior sucesso na contemporaneidade. Estudiosa das artes e da escrita, Chimamanda ganhou notoriedade com a publicação de 'Meio sol amarelo' (2007), adaptado para o cinema com o mesmo título, em (2013). A obra traz temáticas comuns à autora: a luta pela liberdade, a busca pela igualdade de direitos, questões relacionadas à humanidade, entre outras. 'Hibisco roxo' (2003) e 'Para educar crianças feministas' (2017) também estão entre os destaques. Ler Chimamanda é fundamental para que conheçamos diferentes contextos e realidades que exigem olhares atentos, complacentes e auxiliadores. É igualmente essencial para que compreendamos e, assim, possamos subverter comportamentos e hábitos padronizados, a fim de que nos libertemos de preconceitos e visões deterministas.

Foto: Divulgação / ReproduçãoA feminista e escritora nigeriana é reconhecida como uma das mais importantes jovens autoras, atraindo uma nova geração de leitores de literatura africana
A feminista e escritora nigeriana é reconhecida como uma das mais importantes jovens autoras, atraindo uma nova geração de leitores de literatura africana
Siga o Tudo & Todas nas redes sociais