Comecei uma campanha por menos likes e mais life

Comportamento por: Daiana Nervo em: 03/11/2017 | 18:00

 

Dias atrás recebi no celular imagens de uma campanha da Associação de Amigos do Hospital de Clínicas. A campanha, que compartilho aqui com vocês, basicamente mostra uma série de imagens e cenas do cotidiano familiar. Mães e filhos nos seus celulares; crianças precoces em seus tablets; pais em frente à televisão. O desenho da realidade, afinal, a tecnologia está cada vem mais presente entre nós e nossos pequenos, né?

Mas o que realmente me incomodou e quero debater aqui com vocês foram as frases associadas a cada imagem... Elas diziam mais ou menos assim: 'Curta a vida da sua filha como você curte a dos outros'. 'Tem gente solicitando sua amizade dentro de casa'. '83% das crianças se sentem trocadas por um celular. E você preocupada com o tempo que passa fora de casa.' E outras tantas mais...

E sabe por quê isso me chocou? Soou como um soco no estômago? Por que é um reflexo muito real do nosso dia-a-dia. O celular sempre na mão. Descansar rolando o dedo pelas redes sociais. E se os filhos imitam as atitudes dos pais... eles também já estão se excedendo? Tão cedo? Joguinhos, Youtube, séries. Não, isso não é evolução!

Minhas memórias mais importantes são dos momentos de convivência em família. Na mesa com os meus pais aprendi o mais básico sobre respeito, solidariedade e amor. Mas aos nossos filhos oferecemos um tablet carregado antes de chegar ao restaurante para garantir 'silêncio' e 'paz'. Hein?

Lutei contra dar um videogame ao meu filho de 6 anos porque não achava saudável essa paralisia em frente à televisão. Fui vencida. O celular é sempre objeto de disputa entre nós dois. Ou seja, está sempre na mão de alguém. Que horror, né?

Essa campanha já é vencedora. Desde que recebi ela no meu celular (rsss) ampliei o tempo de leitura, o velho jogo de cartas e as conversas sobre o dia com o meu filho. Minha proposta é que vocês também pensem nisso e se policiem em casa.

Não prego aqui televisões desligadas na sala ou a proibição dos eletrônicos. Estou falando de controle. Não o controle de delimitar horários ao seu filho ou arrancar o celular da mão do pequeno que já nem escuta o que acontece a sua volta. Controle você! Comece por você! Deixe o seu celular na bolsa até olhar para todos, dar um abraço e se informar sobre suas histórias reais. Nada de celular no trânsito na frente do seu filho. Nada de celular enquanto está entre amigos. E jamais no meio de uma refeição, por favor. Sim, é difícil. Mas é uma campanha por mais conversa, por mais compreensão, por vidas reais. E isso pode ser transformador. 

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