Desenvolvimento infantil: 10 (bons!) motivos para brincar com seu filho

Comportamento por: Thayse Fallavena em: 12/07/2017 | 20:00

Ter a oportunidade de trabalhar com crianças, acompanhar seu crescimento e poder apreciar suas descobertas, pode ser considerado um privilégio, e quando a tudo isso se associa o brincar, é verdadeiramente encantador.

A partir do brincar, a criança expressa suas intenções, fazendo-se compreender, mesmo quando ainda não apresenta a linguagem usual. É no brincar, no faz-de-conta, que ela consegue incorporar as regras de funcionamento do mundo dos adultos, assimilando e estabelecendo os limites entre o real e a fantasia. Fato que lhe possibilita a entrada no processo de socialização e facilita enxergar o outro como diferente dela e assim, estabelecer seus vínculos afetivos.

Foto: Arquivo Pessoal / Tudo & TodasBrincar reforça laços afetivos
Brincar reforça laços afetivos entre os adultos e as crianças

No brincar, quer seja espontâneo, quer seja através de jogos ou com as fantasias do mundo do faz-de-conta, a criança passa a se organizar e a se entender melhor, tendo a possibilidade de entrar em contato com suas dificuldades e assim elaborá-las. As próprias questões fonoaudiológicas que se apresentam são mais bem aceitas e tendem a se resolver mais facilmente através do brincar.

Falando do brincar, lembramos dos brinquedos. A maioria das crianças tratam os brinquedos conforme os recebem. Ela sente quando está recebendo por razões subjetivas do adulto, que muitas vezes, compra o brinquedo que gostaria de ter tido, ou que lhe dá status, ou ainda para comprar afeto, e outras vezes para servir como recurso para livrar-se da criança por um bom espaço de tempo - fato que percebemos atualmente com o uso de tablet e celular utilizados muito precocemente e demasiadamente.

É indispensável que a criança se sinta atraída pelo brinquedo e cabe-nos mostrar a ela as possibilidades de exploração que ele oferece, admitindo tempo para observar e motivar-se. A criança deve explorar livremente o brinquedo, mesmo que a exploração não seja a que esperávamos, muitas vezes, não raramente, é a caixa do brinquedo que mais encanta, ou até mesmo o papel de presente. Não nos cabe interromper o pensamento da criança ou atrapalhar a simbolização que está fazendo. Devemos nos limitar a sugerir, a estimular, a explicar, sem impor nossa forma de agir, para que a criança aprenda descobrindo e compreendendo, e não por simples imitação ou para fazer a nossa vontade imperar. A participação do adulto é para ouvir, motivá-la a falar, pensar e inventar.

Brincando, a criança desenvolve seu senso de companheirismo. Jogando com amigos, aprende a conviver, ganhando ou perdendo, procurando aprender regras e conseguir uma participação satisfatória. No jogo, ela aprende a aceitar regras, esperar sua vez, aceitar o resultado, lidar com frustrações e elevar o nível de motivação. Nas dramatizações, a criança vive personagens diferentes, ampliando sua compreensão sobre os diferentes papéis e relacionamentos humanos.

As relações cognitivas e afetivas da interação lúdica propiciam amadurecimento emocional e vão pouco a pouco construindo a sociabilidade infantil. O momento em que a criança está absorvida pelo brinquedo é um momento mágico e precioso, em que está sendo exercitada a capacidade de observar e manter a atenção concentrada e que irá inferir na sua eficiência e produtividade quando adulto. Brincar junto reforça os laços afetivos, e como! É uma manifestação do nosso amor à criança.

Todas as crianças gostam de brincar com os pais, com a professora, com os avós ou com os irmãos. A participação do adulto na brincadeira da criança eleva o nível de interesse, enriquece e contribui para o esclarecimento de dúvidas durante o jogo, é uma grande oportunidade de conversar e proporcionar a fala. Ao mesmo tempo, a criança sente-se prestigiada e desafiada, descobrindo e vivendo experiências que tornam o brinquedo o recurso mais estimulante e mais rico em aprendizado.

Guardar os brinquedos com cuidado pode ser desenvolvido através da participação da criança em arrumar junto com o adulto, uma questão de exemplo e reforço diário desse hábito, a criança adquire automaticamente o mesmo costume, ocorrendo inclusive satisfação tanto no guardar como no brincar.

Foto: Arquivo Pessoal / Tudo & TodasO brincar é um ensaio da criança para a vida
O brincar é um ensaio da criança para a vida

Todo brinquedo confeccionado com material reciclável e não estruturado tende a despertar nas crianças novos interesses, desenvolve grandiosamente a criatividade, mostrando as possibilidades de transformar objetos e também a destreza manual na confecção dos brinquedos. Agora imaginemos todo esse aprendizado, junto com conscientização de meio ambiente, já que nos dias de hoje se fala tanto em qualidade de vida, sustentabilidade.

Brincar com brinquedo reciclado não é apenas lazer, estimulação da criatividade ou outros aspectos relevantes na criança, ou ainda um bom gerenciamento do lixo. Quero abordar esse assunto como algo mais complexo, pois ao ter essa prática exercemos uma ação direta no meio ambiente e, consequentemente, na economia, no comportamento humano e na cultura de nosso país, que ainda não tem a prática habitual da reciclagem. Estamos orientando e conscientizando para a Educação Ambiental e os resultados serão grandes, pois haverá mudança nos valores e comportamento das crianças, tornando-se pessoas melhores em nossa sociedade.

Brincar é fundamental! Para a criança, funciona como um ensaio sobre o mundo. É onde ela pode desenvolver e ampliar suas percepções acerca de seu universo. Para os pais, um momento de formar vínculos, ser participativo na vida dos filhos, e até mesmo soltar um pouco a imaginação e descarregar o estresse.

10 (bons!) motivos para brincar com seu filho:

1. Combate a obesidade, o sedentarismo e desenvolve a motricidade.
2. Promove o autoconhecimento corporal.
3. Estimula competências socioemocionais*.
4. Gera resiliência**
5. Ensina o respeito ao outro.
6. Desenvolve a atenção e o autocontrole.
7. Incentiva o trabalho em equipe.
8. Estimula o raciocínio estratégico.
9. Promove a criatividade e a imaginação.
10. Estabelece regras e limites.

* Competências socioemocionais: Abertura a novas experiências (tendência a ser aberto a novas experiências estéticas, culturais e intelectuais); Consciência (inclinação a ser organizado, esforçado e responsável); Extroversão (orientação de interesses e energia em direção ao mundo externo, pessoas e coisas); Amabilidade (tendência a agir de modo cooperativo e não egoísta); Estabilidade Emocional (previsibilidade e consistência de reações emocionais, sem mudanças bruscas de humor).

**  Resiliência: é a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas.

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Thayse Bienert Goetze Fallavena é fonoaudióloga clínica (CRFa 7 - 9461), bacharel em Fonoaudiologia - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, especialista em Educação - PUCRS, mestre em Patologia - ênfase em Genética Clínica - UFCSPA.

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