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Ensino do inglês: o que aprender com os asiáticos

Viagem por: Ana Flávia Hantt em: 05/05/2018 | 11:00

As nações asiáticas, apesar da forte e característica cultura, sabem da importância de abrir-se para o ocidente. E nesse contexto, a comunicação é a primeira barreira a ser enfrentada. Com alfabetos e dinâmicas gramaticais muito diferente das línguas latinas e anglo-saxônicas (português, espanhol, italiano, inglês, etc), os orientais adotaram, especialmente nas duas últimas décadas, o ensino do inglês como prioridade para a educação, inclusive nas instituições públicas.

À medida que países como a China, por exemplo, têm se transformado em potências mundiais, há a necessidade de tornar a população apta a dialogar com companhias multinacionais. A economia e o desenvolvimento do país dependem disso. E embora idiomas como o mandarim e o espanhol tenham destaque, o inglês ainda é a principal forma de comunicação mundial.

Foto: Reprodução / 30 On The RoadVídeo do 30 On The Road retrata como é a educação na China
Vídeo do 30 On The Road retrata como é a educação na China

BRASIL X ÁSIA

A professora de inglês Josiele Baron, que também integra o projeto itinerante "30 on the road", explica que nestes dois meses de viagem, já teve a oportunidade de dialogar com dezenas de asiáticos. São jovens originários da China, Japão, Malásia, Filipinas, Índia e outros países, os quais residem, estudam ou visitam os Estados Unidos. 'Todos com um inglês excelente e perfeito gramaticalmente, embora em algumas ocasiões, as características introvertidas façam com que não sejam tão comunicativos como seria, talvez, um latino'.

Para que não vivam isolados e limitados em suas oportunidades, os asiáticos têm desenvolvido, especialmente nos grandes centros, uma cultura para o aprendizado do idioma ocidental. Além de aulas diárias nas escolas públicas desde a infância, tem crescido o número de cursos e projetos de imersão. 'O aprendizado intensivo desde a infância é o que faz a diferença. Para as crianças asiáticas isso ocorre de forma natural, até porque, para eles, aprender o idioma na fase adulta seria muito mais complexo'.

Em um cenário ideal, as escolas da educação básica ampliariam o número de aulas de inglês por semana, e os alunos seriam divididos em níveis, conforme o seu grau e ritmo de aprendizado. Haveria a possibilidade de trocas entre esses alunos, como projetos de tutoria; e o inglês seria utilizado em atividades multidisciplinares, com o idioma sendo aplicado à outras matérias', Josiele Baron, Professora de Inglês e especialista em Metodologia do Ensino.

Josiele destaca que o Brasil também já sabe que precisa do inglês, e que aos poucos, a cultura de aprendizado tem evoluído. 'Há pouco tempo, as crianças chegavam nos cursos com 10, 11 anos. Hoje, muitos pais já matriculam seus filhos a partir dos três anos em aulas específicas para a idade. Internet, filmes, games e outros recursos também contribuem para que o inglês se torne parte do nosso dia a dia, assim como escolas bilíngues e projetos específicos', compara.

Na opinião da professora, no entanto, o maior desafio para o país tem sido o ensino efetivo do idioma na educação básica, especialmente na rede pública. Josiele explica que em geral, os alunos assistem a uma ou duas aulas semanais de inglês, o que não é suficiente para adquirir fluência e trabalhar com as quatro habilidades básicas necessárias: escrita, leitura, audição e fala. 'Seria necessária uma grande adaptação do currículo', pondera.

Hoje, as principais iniciativas são vistas nas escolas de idiomas, e nas instituições da rede privada, nas quais os recursos e a carga horário permitem um ensino mais dinâmico e efetivo. 'Hoje, a principal diferença entre o Brasil, em comparação a um país como a China, por exemplo, é o aprendizado do inglês como uma política pública. O governo chinês sabe que a população precisa falar o idioma, se o país quiser continuar se desenvolvendo social e economicamente, e por isso, o ensino ocorre de forma intensiva nas escolas'.

EDUCAÇÃO NA CHINA

O "30 on the road" - projeto que conta o diário de bordo desta viagem - realizou um bate-papo em inglês com a chinesa Feifei Fang, mestra em Educação, professora de inglês na China e de mandarim nos EUA. No vídeo, a profissional explica como, especialmente na última década, o governo do país adaptou o currículo escolar para tornar a população fluente em inglês. O material pode ser acessado na página do "30 on the road" no Facebook (www.facebook.com/30ontheroad).

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