Entenda o que é Sífilis, doença que volta a ser uma epidemia no país

Saúde por: Taiane Kussler em: 04/08/2017 | 20:00

Independente do sexo ou idade, a Sífilis atinge um número significativo de pessoas e já é considerada uma epidemia no país. Segundo pesquisas da Secretaria Estadual de Vigilânia em Saúde, os números começaram a crescer desde 2011, deixando a saúde pública em alerta. Cerca de seis milhões de pessoas são infectadas anualmente com Sífilis, através do ato sexual. Dados do Ministério da Saúde comprovam que, em 2010, foram notificados 1.249 casos de sífilis adquirida e em 2015 esses números saltaram para 65.878, um aumento de mais de 5.000%, em apenas cinco anos

 

A maioria desses casos ocorreu na região Sudeste (56,2%) e afetou pessoas na faixa etária dos 20 aos 39 anos (55%), que se autodeclaram da raça branca (40,1%). Em 2010, a incidência da doença em homens era maior - cerca de 1,8 caso para cada caso entre mulheres. Essa média caiu para 1,5 homem/mulher em 2015. Ou seja, as mulheres são o grupo cuja vulnerabilidade vem aumentando.

No caso da sífilis congênita, que é transmitida durante a gestação, este número também teve um aumento considerável. A taxa de grávidas infectadas com a doença, cresceu 224% desde 2005. Ainda que exista um aumento no número de crianças infectadas, a mortalidade da doença entre elas é pequena em relação ao número de infectados.

Segundo a enfermeira da Vigilância Epidemiológica, Carla Lili Müller, em Venâncio Aires a Sífilis passou a ser notificada mais efetivamente nos últimos anos, o que foi possível quantificar com mais precisão o número de casos no município. De 2013 a 2017, o aumento de pessoas portadoras da doença tem sido significativo, principalmente a Sífilis adquirida, que em 2016, teve um índice mais alto, como mostra o gráfico abaixo.

 

Segundo a enfermeira, a partir de 2013, houve a introdução dos testes rápidos nas Unidades Básicas de Saúde, o que facilitou à população o acesso ao teste da Sífilis, bem como HIV e Hepatites B e C. Mesmo assim, sabe-se também que, muitos casos estão subnotificados, havendo então uma quantidade de pessoas com Sífilis, que não entram nas estatísticas.

Conforme Carla, o método da qualificação do pré-natal, a captação precoce das gestantes e o tratamento adequado vêm prevenindo que os bebês nasçam com Sífilis congênita. 

 Como a doença se apresenta na sua maioria de forma silenciosa, as pessoas se dirigem às Unidades Básicas de Saúde, para a realização de exames, apenas por curiosidade, pois não apresentam sinais, nem sintomas. Nestes casos, acabam descobrindo que podem portar a Sífilis", salienta. 

Conheça as características da doença, os estágios e possíveis tratamentos, para evitar que a sua saúde esteja em risco:

A doença

De acordo com a especialista em saúde, a Sífilis é uma doença infecto contagiosa de evolução crônica e silenciosa, causada por uma bactéria denominada Treponema Pallidum, descoberta desde 1905.

Para evitar o contágio

* Relações sexuais com preservativos;

* Quando um dos parceiros é diagnosticado com a Sífilis, o outro também deve realizar o tratamento para que não ocorra a recontaminação;

* Fazer o tratamento adequado com posterior acompanhamento;

Estágios

A primeira manifestação é caracterizada por uma úlcera no  local da entrada da bactéria, denominada de cancro duro, geralmente única, indolor e algumas vezes acompanhada por uma íngua inguinal. Pode durar de duas a seis semanas e desaparecer espontaneamente. "Muitas vezes, este estágio pode passar desapercebido, ou porque o paciente não vê a lesão ou porque a lesão cicatrizou e o paciente acha que está curado", considera.

Na Sífilis secundária, podem aparecer lesões na pele, perda de cabelo em clareira, febre e mal-estar, estes sintomas podem ser diferentes dependendo do paciente. Já a terciária, pode gerar lesões incapacitantes, acometimentos do sistema nervoso e cardiovascular.

Riscos à saúde

Conforme a enfermeira, em relação a Sífilis congênita, caso não haja o tratamento durante a gestação, aumentam os riscos de malformações ao bebê, bem como, parto prematuro ou perda fetal.

Tratamento

É uma doença com tratamento e cura quando realizado adequadamente. Conforme a enfermeira, o tratamento é realizado com antibióticos e prescritos conforme a forma que a Sífilis se apresenta.

Diagnóstico

O diagnóstico é fácil e está disponível em qualquer Unidade Básica de Saúde do município. Não há custos, e o resultado fica pronto em apenas quinze minutos.

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