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Moradia na Inglaterra: do velho ao novo, padronização é o que importa

Viagem por: Solange Silberschlag Beglin em: 13/10/2017 | 14:00

Com 54 milhões de habitantes (Censo 2013), a Inglaterra é o país mais populoso do Reino Unido (formado pela Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte), apresentando alta densidade demográfica (413 habitantes/km2). O país inteiro é bem desenvolvido, mas a concentração populacional mais marcante se encontra no sudeste, em regiões que oferecem boas conexões ferroviárias e mais próximas à Londres. As zonas rurais, no entanto, são muito bem preservadas. Graças ao planejamento urbano implantado séculos atrás, o crescimento das cidades é totalmente controlado pelas autoridades governamentais. Políticas habitacionais e leis urbanísticas garantem moradia adequada à população e harmonia arquitetônica.

Através do plano diretor nacional, o desenvolvimento habitacional acontece de forma homogênea e uniforme. Aqui não se pode comprar um pedaço de terra e construir aquela casa dos sonhos, como acontece no Brasil. Aliás, por aqui sequer acontece a venda de terrenos e lotes individuais. Derrubar a casa velha e construir uma nova, nem pensar! No interior, é muito semelhante, pois agricultores com ou sem propriedades rurais, devem seguir as mesmas normativas de planejamento habitacional.

Foto: Divulgação / Tudo & TodasCondomínios residenciais mantém o mesmo padrão
Condomínios residenciais mantêm o mesmo padrão

Possuir terra não cria o direito automático de edificar nela. Pelo contrário, grande parte dos campos na zona rural da Inglaterra faz parte de áreas de conservação ambiental e restrito à agricultura familiar. Como em quase todo mundo, morar no interior é diferente do que morar na capital londrina. A grande diferença está no valor do imóvel e tipo de moradia. Quanto mais próximo de Londres, menor a proporção do imóvel e maior seu valor.

A indústria da construção civil, através de grandes empresas, é uma das mais prósperas no país. Novas edificações são planejadas em loteamentos pré-determinados, seguindo normas específicas (e rigorosas!) construindo casas e apartamentos padronizados. Seja na capital ou interior, o padrão é sempre o mesmo. Umas das características da arquitetura no país é a criação de condomínios habitacionais sem blocos de apartamentos. Os britânicos têm aversão a conjuntos residenciais formados por altas torres de apartamentos. Tanto que a maioria dos blocos construídos nos anos 60, época em que os apartamentos eram vistos como solução habitacional para o país, vêm sendo demolidos e substituídos por construções de melhor apelo visual.

Harmonia arquitetônica é um fator importante. Ou seja, as casinhas novas são esteticamente iguais, maioria apresentando dois pisos e um jardinzinho nos fundos. E sem falar que devem obrigatoriamente seguir o mesmo estilo de construções antigas em áreas de conservação. Por isso, ao passear pela Inglaterra, em qualquer região, percebe-se logo a harmonia arquitetônica de condomínios residenciais caracterizados por pequenos imóveis, distinguindo cada espaço. Os imóveis são vendidos prontos, com preço geralmente baseado no número de quartos e variando de acordo com cada região.

Foto: Divulgação / Tudo & TodasHarmonia arquitetônica é um fator importante
Muros e grades dão lugar a pequenas cerquinhas em frente às residências

Quanto mais próximo de Londres, mais caro o imóvel! O mercado imobiliário londrino é um dos mais evolouídos do mundo, com demanda bem maior que a oferta. A maioria dos imóveis situados em bairros nobres, como Mayfair, Chelsea, Knightsbridge, valem dezenas de milhões de esterlinas e pertencem a estrangeiros, russos e árabes, principalmente. Com a oferta cada vez menor devido às restrições do plano diretor, os imóveis na capital britânica valem ouro, afastando, dessa forma, famílias de classe média que buscam em cidadezinhas do interior a casa mais espaçosa e tão sonhada.

O custo de edificação aqui na Inglaterra é altíssimo, e por isso é mais fácil e rápido comprar um imóvel pronto e financiá-lo. As parcelas do financiamento de habitação fazem parte do orçamento da maioria das famílias britânicas. É praticamente impossível comprar um imóvel à vista. Os preços são exorbitantes em comparação ao salário recebido. No entanto, a compra é facilitada através de financiamentos. Aqui pode-se financiar o imóvel em até 30 anos com taxas de juros relativamente baixas e regulamentadas pelo Bank of England (Banco Central da Inglaterra). É dessa maneira que a maioria dos britânicos consegue sua casa própria.

Padronização

Em todo Reino Unido percebe-se a harmonia entre o velho e novo. Construções antigas são constantemente renovadas, preservando a arquitetura, mas ao mesmo tempo, edificações modernas vão surgindo, complementando as antigas. Aqui todo cidadão tem direito à moradia, seja em casa própria ou alugada com auxílio do governo.

Uma das características nas construções aqui na Inglaterra, é o uso de materiais que assegurem espaços homogêneos e coerentes. Habitações sociais (para famílias carentes) estão inseridas em loteamentos e condomínios. Então dificilmente se vê uma chalezinho caindo aos pedaços ao lado de um casarão todo murado. Aliás, outro detalhe que por aqui pouco se vê: muros, portões e janelas gradeadas. Os ingleses preferem uma cerquinha verde ao invés do concreto.

Foto: Divulgação / Tudo & TodasMesmo no interior, as características precisam ser mantidas
Mesmo no interior, as características precisam ser mantidas

De certa forma, os imóveis aqui parecem todos iguais. Padronização é palavra chave. Em qualquer região encontram-se casas geminadas, conjugados ou aquelas típicas de tijolo à vista, na maioria com layout similar. Eu adoro casa nova e já nos mudamos aqui na Inglaterra várias vezes, nos distanciando um pouco da capital em busca de melhor espaço para a família. Sempre optamos por condomínios residenciais, pois oferecem conforto e ótima infraestrutura, áreas verdes e de recreação.

A construção de novos imóveis é totalmente regulamentada, sendo que em cada condado do país, existem áreas delimitadas onde é permitido edificar. Nada pode sair do padrão, e para isso existe fiscalização rigorosa. Os loteamentos são liberados pelas autoridades locais e requerem vários estudos de viabilidade antes do início da construção. Enquanto no Brasil existe a liberdade de escolher o terreno e construir a casa dos sonhos a sua maneira, por aqui é tudo controlado. Quanto mais antiga a construção, maiores são as restrições na restauração. Até mesmo para mudar a cor da porta de um imóvel é preciso solicitar autorização da prefeitura local.

Um fato bem interessante aqui na Inglaterra é que o plano diretor nacional estabelece que qualquer construção existente, mesmo em ruínas, pode ser transformada em residência desde, claro, que o projeto arquitetônico seja aprovado pela autoridade local. Desta forma é bem comum edificações antigas como estábulo, moinho, escola e até igreja, serem transformadas em lindas residências. A propriedade rural é muito valorizada em todo Reino Unido. Ao reformar estrebarias e armazéns agrícolas, devem ser mantidas as características do local, assim como é obrigatorio o uso de materiais que rendam originalidade à construção enaltecendo o antigo visual. E claro, sempre dentro dos conformes!

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