Mulheres brutalmente violentadas: até quando?

RespeitAme por: Mônica da Cruz em: 12/08/2015 | 16:00

Foto: Divulgação / InternetAté quando veremos relatos de mulheres vítimas de crimes passionais escondendo o rosto por medo de uma nova agressão do ex-companheiro que deveria estar preso, mas está solto?
Até quando veremos relatos de mulheres vítimas de crimes passionais escondendo o rosto por medo de uma nova agressão do ex-companheiro que deveria estar preso, mas está solto?

As notícias se mantêm iguais, o que muda é o local, a data e o nome da mulher brutalmente agredida pelo então companheiro. No dia 2, uma jovem de São Leopoldo foi agredida pelo então companheiro, que usou um facão e, com isso, decepou suas duas mãos, seu pé esquerdo e parte do pé direito. Na madrugada de hoje, uma venâncio-airense foi agredida pelo companheiro e teve a mão decepada. Amanhã será mais uma de Porto Alegre, depois de Erechim e, depois, do Alegrete.

Os números crescem - de forma descontrolada, mas as coisas não mudam. O pedido de socorro continua sem sair, as leis continuam ajudando em partes, os vizinhos continuam com medo de ajudar, o agressor continua a agir e as lágrimas continuam a cair.

Até quando?
Até quando veremos relatos de mulheres vítimas de crimes passionais escondendo o rosto por medo de uma nova agressão do ex-companheiro que deveria estar preso, mas está solto? Até quando as mulheres terão medo de denunciar as agressões sofridas, porque sabem que as leis nem sempre as protegem e quem deveria ajudar, muitas vezes acusa ou insinua que a culpa é da própria mulher?

Até quando vizinhos vão ficar sem ajudar, por medo de se meter, e, com isso, vão ser cúmplices de uma atitude abominável? Até quando vamos ver histórias como a das duas jovens, mesmo de cidades diferentes, estampadas em páginas de jornais ou em portais de notícias?

Não há como ver ou ler os relatos e não sentir impotência. Impotência por ser mulher, por saber que tantos casos ocorrem por dia, por mês, por ano e, ainda assim, não poder fazer muita coisa. É impossível ver as mulheres, como no caso da Gisele, com braços e mãos enfaixadas e não sentir raiva, pelo sistema que falha, que não auxilia e não está cem por cento presente. É impossível não sentir raiva, por saber que os números aumentam e, nem sempre, se sabe quem são as vítimas e o que ocorreu, de fato, com elas. 

Não há como ler ou ver os relatos de mulheres que foram vítimas de violência passional, e não chorar. Não sentir dor, revolta, medo. Não há palavras, sejam elas ditas ou escritas, que ajudem, que auxiliem ou que expressem, de forma completa, o que essas mulheres passaram, estão passando e, muitas outras, ainda vão passar.

Estamos cansados de ver histórias assim. Estamos cansados dessas histórias que sabemos onde vão terminar - em um hospital ou em um caixão - e, também, das que sabemos que não vão ter fim. Estamos cansados de tanto sofrimento, de tanta dor, de tanto sangue e lágrimas derramados. É preciso parar. É preciso ir além. Mulheres, é preciso enfrentar sim, falar ainda mais alto, bater no peito e gritar 'chega', é preciso arranjar coragem - mesmo quando ela parece não mais existir.

Mulheres, é preciso ser forte, mesmo quando tudo parece ser ainda mais pesado, é preciso mostrar as cicatrizes e as marcas e provar, para todos, mas, principalmente, para si mesma, que você é guerreira, que você sobreviveu.

Mulheres, eu não sei o tamanho da dor de vocês, mas espero, sinceramente, que vocês consigam ir além. Que mesmo com as marcas, vocês continuem, se levantem e mostrem para outras mulheres que é possível sim, enfrentar tudo e todos. Não desistam, nem de vocês nem da vida, não se escondam, não chorem e nem se tranquem dentro de si mesma.

Vocês merecem sorrir, vocês merecem ser amadas (por alguém de verdade, que saiba respeitar, amar e ser o cara), vocês merecem ser felizes, mas, principalmente, vocês merecem andar de cabeça erguida, servindo de exemplo de força e garra para tantas outras mulheres por ai.

Siga o Tudo & Todas nas redes sociais