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Mundo em pauta: Cultura norte-americana

Viagem por: Ana Flávia Hantt em: 27/05/2018 | 16:12

 

Foto: Ana Flávia Hantt / Folha do MateCultura de competitividade faz com que jovens norte-americanos comecem a se preparar muito cedo para o ingresso em universidades da famosa Ivy League, entre elas, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT
Cultura de competitividade faz com que jovens norte-americanos comecem a se preparar muito cedo para o ingresso em universidades da famosa Ivy League, entre elas, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT

Estamos há cerca de 80 dias em viagem pela América do Norte, e neste meio tempo, já tivemos a oportunidade de nos hospedarmos com cinco famílias diferentes. A experiência de imersão nos proporcionou um contato mais próximo com a cultura e o estilo de vida locais, especialmente no nordeste americano. Abaixo, cito algumas curiosidades baseadas nas vivências obtidas até o momento. A lista terá continuidade na próxima semana.

 

1. Sem parada para o almoço
O horário do meio-dia como conhecemos é um conceito inexistente para os norte-americanos. Nos locais de trabalho, escolas e universidades não há o grande intervalo que divide a manhã e a tarde, e o comum é as pessoas fazerem uma breve pausa para comer um sanduíche ou uma salada. Dessa forma, o jantar se torna a refeição mais importante do dia, quando geralmente as pessoas cozinham um prato quente. Em geral, essa refeição é ingerida mais cedo, entre 18h e 19h.

2. Tempo no trabalho
O horário de trabalho padrão americano, especialmente em escritórios, é entre 9h e 17h. Em locais de conveniência, como lojas, supermercados ou farmácias, o tempo ampliado de atendimento (geralmente entre 7h e 22h) faz com que os horários de trabalho também sejam diferenciados, com diferentes turnos entre os funcionários. Vale dizer que os países norte-americanos possuem maior flexibilidade na legislação trabalhista, sendo possível definir com o empregador quantas horas por semana e em que momento se deseja trabalhar. O pagamento é feito por hora, e o valor varia conforme o estado. Em Massachusetts, por exemplo, o salário mínimo é US$ 11/hora.

3. Cuidado com os filhos
O Estados Unidos não possui sistema público de Educação Infantil, e uma escolinha (day care) pode custar em média US$ 3.000/mês. Isso faz com que muitos pais organizem seu trabalho em diferentes turnos, para que sempre haja alguém com a criança. Em outras situações, um dos pais decide ficar em casa, enquanto o outro trabalha. Essa decisão geralmente é baseada em quem possui maiores benefícios no emprego, como participação nos lucros da empresa e plano de saúde.

Essa dinâmica faz com que o papel do homem na família seja muito mais voltado para a vida doméstica, e é muito comum ver o pai cuidando de bebês, e mesmo ficando em casa, enquanto a esposa trabalha fora.

4. Independência dos filhos
A cultura norte-americana é altamente competitiva, e isso faz com que os adolescentes procurem muito cedo uma distância em relação aos pais. Após terminarem o Ensino Médio, os jovens que escolhem cursar o Ensino Superior procuram sair de casa, escolhendo universidades em outras cidades ou estados, e morando em dormitórios no campus. Para o adolescente médio americano, é sinal de fracasso ficar morando com os pais, e mesmo voltar para casa nas férias de verão, ao invés de fazer um estágio voluntário, não é visto com bons olhos.

Onde estamos

Foto: Ana Flávia Hantt / Folha do MateParque localizado na vizinhança oferece brinquedos aquáticos para as crianças se divertirem nestes dias quentes de primavera
Parque localizado na vizinhança oferece brinquedos aquáticos para as crianças se divertirem nestes dias quentes de primavera

Estamos há uma semana em Ottawa, a capital do Canadá. Com cerca de 935 mil habitantes, é uma cidade organizada, limpa, segura e muito amigável. Possui a maior taxa educacional do país, além de concentrar o melhor padrão de vida canadense e o mais baixo índice de desemprego. É considerada a melhor cidade para viver dentro do Canadá, e em um ranking mundial de qualidade de vida, ocupa o 24° lugar.

Apesar de visitarmos essa região metropolitana, vivemos uma experiência de forte envolvimento local e comunitário. Nesta estadia, estamos hospedadas em um bairro chamado Gloucester Glen, que além de ter predominância residencial, tem como característica a vida em torno do Rio Rideau. Com cerca de 145 quilômetros de extensão, o rio cruza o "jardim" de diversas casas, o que faz com que os moradores vivam intensamente esse espaço, com prática de pesca e esportes aquáticos. Um ambiente que lembra muito a vivência que temos em Mariante, em Venâncio Aires, ou no Balneário Monte Alegre, em Vale Verde. O mais impressionante, no entanto, é saber que as baixíssimas temperaturas do inverno canadense (uma média de -20°C), fazem com que o extenso rio congele, momento em que é utilizado como pista de patinação.

Esse clima permanente de férias se estende para a cordialidade entre os vizinhos. Já conhecemos todos pelo nome, e diariamente temos a oportunidade de interagir com eles. Nos ensinaram a andar de caiaque, nos emprestaram bicicletas, nos deram dicas de programação, cortaram a grama do jardim, nos explicaram como selecionar o lixo, e diariamente, as crianças vêm brincar com os dois cachorros da casa. É um clima extremamente cooperativo, que reforça a fama do Canadá como um dos países mais amigáveis do mundo.

Ottawa é conhecida como uma das cidades mais educadas do Canadá, com mais da metade da população com Ensino Superior. No país, é a cidade com maior concentração de engenheiros, cientistas e pós-doutores.

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