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Mundo em pauta: London apresenta projeto de educação ambiental nas matas

Viagem por: Ana Flávia Hantt em: 16/07/2018 | 09:00

Nas últimas edições da coluna, venho falando sobre boas iniciativas encontradas na cidade de London, localizada no leste do Canadá, onde estive por duas semanas no mês de junho. Por ser uma cidade parecida com Venâncio Aires, em termos de população, geografia e possibilidades, muitas questões podem servir como exemplo e inspiração.
Conhecida no país pelo grande cinturão verde localizado em seu território, London possui um projeto para a conservação e educação ambiental chamado de 'Área Ambientalmente Significativa'. São 21 locais, sendo que em nove deles, é realizado um trabalho permanente para proteção e uso comunitário.

Nestes locais, uma empresa contratada pelo município realizada o trabalho de controle de espécies invasivas, restauração ecológica, plantio de árvores nativas, além da construção e manutenção da estrutura para visitantes. Todos os locais possuem trilhas demarcadas, com estrutura de pontes, sinalização, lixeiras e áreas de perigo/proibidas bloqueadas.
As trilhas, muito usadas para a prática de exercícios físicos, observação de pássaros, e para educação ambiental de crianças e adultos, ficam abertas entre 6h e 22h, e exigem que os usuários sigam regras: animais de estimação devem ser mantidos na coleira, e animais silvestres não devem ser alimentados. Os visitantes também devem se manter nas trilhas, já que existe o alerta para coiotes em áreas de mata fechada.

Foto: Ana Flávia Hantt / Tudo & Todas Áreas nativas oferecem estrutura de trilhas para convivência com a natureza e educação ambiental
Áreas nativas oferecem estrutura de trilhas para convivência com a natureza e educação ambiental

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Como é a construção de um bairro

Embora as regras para planejamento urbano possam variar conforme a cidade ou província, é interessante entender como as áreas residenciais são planejadas, em sua maioria, no Canadá. Novos bairros são criados a partir do trabalho de uma construtora, que além da infraestrutura de pavimentação, iluminação, saneamento, etc, também entrega as residências prontas. Diferente do Brasil, os moradores não compram um terreno, para depois construir uma casa da sua preferência. A opção é escolher uma unidade que já esteja pronta para a venda.

Em geral, as casas em um mesmo bairro seguem um padrão arquitetônico, e são construídas em um curto espaço de tempo. Uma grande residência, com dois andares e porão, por exemplo, leva em torno de seis meses para estar finalizada. Geralmente, as casas são construídas em três camadas: base em madeira, revestimento térmico (necessário para as temperaturas negativas do longo inverno) e revestimento externo, que dá o aspecto estético.

Assim como em qualquer lugar do mundo, os bairros geralmente são divididos por poder econômico dos moradores, variando por localização, infraestrutura, etc. Em Vancouver, por exemplo, adquirir uma casa em áreas próximas à praia pode custar cerca de 3 milhões de dólares canadenses. Se tiver vista, o preço pode subir para 5 milhões.
No entanto, independente da camada social, todos vivem com conforto e dignidade. Não se vê áreas de pobreza ou favelas.

Foto: Ana Flávia Hantt / Tudo & TodasBairros - da infraestrutura à construção das residências - são realizados por uma empresa construtora
Bairros ~ da infraestrutura à construção das residências ~ são realizados por uma empresa construtora
Foto: Ana Flávia Hantt / Tudo & TodasÀ esquerda, casa finalizada. À direita, casa em construção. As partes em verde e branco são o revestimento térmico
À esquerda, casa finalizada. À direita, casa em construção. As partes em verde e branco são o revestimento térmico
Foto: Ana Flávia Hantt / Tudo & Todas Após finalizado, bairro possui padronização entre todas as residências
Após finalizado, bairro possui padronização entre todas as residências

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Onde estamos

Foto: Josiele Baron / Tudo & TodasVancouver é a principal cidade do oeste canadense
Vancouver é a principal cidade do oeste canadense

Depois da semana de tirar o fôlego nas Montanhas Rochosas, chegou o momento de conhecer Vancouver, a principal cidade do oeste canadense. Com cerca de 2,4 milhões de habitantes, é conhecida pela alta qualidade de vida, proporcionada, principalmente, pelas praias e montanhas que compõem sua geografia. Banhada pelo oceano Pacífico, a cidade tem forte movimentação marítima, e as balsas são um dos principais meios de transporte entre o continente e as ilhas.

O que tem chamado atenção, no entanto, é a diversidade. A esta altura da viagem, já tivemos a oportunidade de visitar grandes metrópoles, mas nunca havia estado em uma cidade tão diversa e multicultural. Talvez seja a animação típica do verão, mas caminhar pelas ruas de Vancouver tem sido uma atração à parte. Roupas, cabelos, maquiagens... todo mundo parece estar usando algo diferente!

O mais inesperado, no entanto, é o idioma. Mais da metade da população residente na cidade tem uma primeira língua que não é o inglês. Esse dado se comprova nas ruas, onde se escuta uma mistura sem fim de línguas. Às vezes, dá para passar o tempo só tentando adivinhar em qual idioma as pessoas estão falando. É claro que o inglês é a base da comunicação, mas Vancouver, definitivamente, tem espaço para todo o mundo.

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Bate-volta

Maconha - O Canadá foi o segundo país no mundo a aprovar o plantio e a comercialização de maconha, em decisão do Senado no mês de junho. Agora, cada província deve trabalhar em suas próprias regras, o que deve estar estabelecido até o fim deste ano. Mais do que leis comerciais, algumas questões devem ser definidas. Por exemplo: Quem fuma maconha, pode dirigir um veículo? A resposta provavelmente seja negativa, já que a droga pode causar efeitos como reflexos mais lentos e letargia. Para responder perguntas como essa, especialistas discutem alternativas, testes e níveis de tolerância para o uso da droga. Chama atenção, no entanto, como a maconha é encarada de forma comum. Não é difícil ver pessoas fumando em parques e outros espaços (mesmo que ainda seja proibido); e muitas pessoas contam com naturalidade, histórias, geralmente de juventude, envolvendo o uso da droga.

Foto: Ana Flávia Hantt / Tudo & TodasFestival em um parque avisa:
Festival em um parque avisa: 'Não é permitido o uso de cigarro eletrônico" e "Esta é uma área livre de cigarro'

Álcool e cigarro - Ao mesmo tempo em que legaliza a maconha, o Canadá também mantém regras rígidas para outros tipos de drogas. Bebidas alcoólicas, como cerveja, vinho, licores, entre outras, são vendidas apenas em lojas específicas (liquor stores), e há um controle rígido de identidade. O consumo de bebidas pode ocorrer em espaços privados, como residências e bares. Beber na rua não pode. Ter uma garrafa aberta dentro do carro, também não pode (deve estar lacrada). O cigarro também passa por um controle mais rígido. A maioria dos lugares proíbe o fumo, e mesmo eventos abertos, avisam que a área é "smoke free", ou seja, livre de cigarro.

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Conexão

Pós-graduação na Austrália - Estudantes interessados em realizar pós-graduação na área dos direitos humanos na Universidade de Melbourne, na Austrália, podem se candidatar ao programa Human Rights Scholarship. As bolsas têm duração de até dois anos para mestrado e até três anos para doutorado, e incluem pagamento de subsídio quinzenal para manutenção durante os estudos e auxílio para despesas com passagens áreas. As inscrições vão até o dia 31 de outubro. A seleção é baseada no compromisso com os direitos humanos, no desempenho acadêmico e na documentação enviada pelo candidato.

Conferência em Artes - Profissionais da área artística têm até 20 de julho para se inscrever para bolsa da Sociedade Internacional para as Artes Performáticas (ISPA). Os selecionados embarcam para conferência em Nova York com tudo pago e têm acesso à rede de membros ao longo de um ano. Os interessados na iniciativa podem se inscrever online, no site da ISPA.

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