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Mundo em pauta: onde estamos

Viagem por: Ana Flávia Hantt em: 30/06/2018 | 16:00

Finalizamos nossa temporada em London com aquele sentimento de lar. Foram duas semanas (nosso segundo período mais longo em um mesmo lugar até agora), e ficamos encantadas com tudo o que a cidade tem a oferecer. London é extremamente cultural, e tem projetos muito bacanas envolvendo o meio ambiente e a mobilidade urbana. 

Outro ponto de destaque desta temporada, foi a convivência com nossos anfitriões, um casal na faixa dos 70 anos. Ele, natural da África do Sul. Ela, do Zimbábue. Membros da colônia britânica neste países, viveram de perto, e na parte mais privilegiada, o Apartheid, movimento político que determinou a segregação e a supremacia branca no país sul-africano. Na época, as pessoas eram classificadas de acordo com raça e condição social, e a partir daí, deviam viver no local em que lhes foi determinado pelo governo. Interações entre raças, como casamento, eram punidas pela lei da imoralidade. Com duração de quase 50 anos, o Apartheid teve fim no início dos anos 1990, a partir do esforço de lideranças como Nelson Mandela.

No Canadá há 40 anos, nossos anfitriões imigraram com incentivos do governo, e em três anos de residência, receberam a cidadania canadense. No país, construíram uma família com três filhos e uma carreira - ela, como professora de música clássica; ele, como engenheiro geotécnico empregado pelo governo federal. Ambos ainda possuem familiares nos seus países de origem, e viajam com frequência para visitá-los. Ainda hoje a África, assim como o Brasil com a escravatura, sofre os reflexos do Apartheid, com grande abismos sociais e econômicos entre representantes de diferentes raças.

Próximo destino

Depois de quase dois meses no leste do Canadá, chegou a hora de conhecer uma nova parte do país. Neste sábado estamos viajando para Vancouver, a cidade mais proeminente do oeste canadense. Na próxima coluna, trago novidades de lá.

Foto: Ana Flávia Hantt / Tudo & TodasUm dos destaques de London é o Covent Garden Market, um mercado que traz o mesmo nome de seu coirmão em Londres, na Inglaterra. Destaque para o papel do Rotary Clube na cidade, que além do relógio, traz a marca de suas ações em vários pontos da cidade
Um dos destaques de London é o Covent Garden Market, um mercado que traz o mesmo nome de seu coirmão em Londres, na Inglaterra. Destaque para o papel do Rotary Clube na cidade, que além do relógio, traz a marca de suas ações em vários pontos da cidade

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Venâncio-airenses no Canadá: Diego Remus

Morar em outra país é o sonho de muitas pessoas. No entanto, conquistar essa permissão nem sempre é uma tarefa tão simples. Existem diversas formas de obter isso, e uma delas, é aplicando para um visto de residente permanente. Quem recentemente passou por todo esse processo é o venâncio-airense Diego Remus. Atualmente morando em Toronto, ele conta que contratou um consultor certificado para auxiliá-lo e, mesmo assim, toda a burocracia exigiu tempo e investimento. 'Mas eu faria tudo de novo porque compensa', afirma.

Foto: Divulgação / Tudo & TodasVenâncio-airense Diego Remus conta como foi todo o processo até conseguir o visto

Como você iniciou este processo?

Visto de turista não deixa trabalhar, mas visto de estudante é excelente porque pode trabalhar um pouco, e permite que esposo ou esposa tenha visto de trabalho (no mesmo prazo de validade que o de estudos). Para quem vem casado, é uma ótima estratégia por vários motivos. Quando cheguei, eu tinha um visto temporário com direito a trabalhar. Significa que tinha data marcada para não ter mais direito a estar aqui. O Canadá tem vários sistemas que são chamados "de honra", o que significa que confiam que você está fazendo tudo certo. Podem não lhe pegar na hora por uma coisa errada ou irregular, mas quando pegarem seu deslize, a consequência virá.

A qual visto você se candidatou?

Me candidatei a um visto chamado Residente Permanente. A imigração funciona por meio de pontuação a nível nacional, então você vai atualizando seu perfil com seus feitos - tanto de estudos, como de trabalho e de vida em geral - e torce para estar dentro da nota de corte do próximo "Convite para Aplicar". De tempos em tempos, a Imigração convida alguns dos perfis candidatos a efetivamente submeterem uma documentação bem completa para provarem tudo que alegaram no perfil. É muito papel e também exames de saúde e antecedentes criminas no Canadá e no país de origem. Acontece ainda uma entrevista, e é preciso fazer teste oral e escrito de proficiência em Inglês ou Francês.

Quanto tempo levou este processo?

O processo de obtenção do visto permanente levou vários meses, desde quando criei um perfil, até quando me entregaram um ofício e disseram "parabéns e bem-vindo ao Canadá, você é um residente permanente". Depois, mais oito semanas até receber em casa uma espécie de identidade que deixa entrar nos aeroportos internacionais pela fila de canadenses. Ou seja, não precisa passar pela fila de imigração quando entra no Canadá nem nos Estados Unidos, por exemplo. Mas ainda não significa cidadania e passaporte canadense. Isso é um outro passo que requer mais um tempo mínimo morando aqui.

Como é ser um imigrante?

Imigrar geralmente significa recomeçar do zero. Se já é difícil ter sucesso no lugar onde a gente viveu a vida, onde a gente conhece tudo e todos, imagina cair no meio desse caldeirão de gente especializada! É uma lição profunda de autoconhecimento e humildade. Hoje eu tenho um bom trabalho em uma multinacional prestigiada, mas também já fui entregador, garçom, faxineiro, "marketeiro". Aqui rola exploração também, não tem essa de "falta mão-de-obra imigrante qualificada". Ainda, o dólar canadense é bem mais caro que o real, então tem que trazer uma boa economia e ser muito esperto para fazer durar. 


Depois da fase de estabilização, fica bem claro como é fácil viver bem por aqui. Trabalhar certinho vale muito e dá certo. Preguiça não ajuda, frescura atrapalha. Mão na massa e bola pra frente. Vôo direto Toronto-São Paulo leva menos de 12h, internet ajuda a diminuir a saudade. O mundo está cheio de novas amizades a serem feitas, novas experiências de vida, novas emoções e memórias!'

Diego Remus

MAIS SOBRE TORONTO

Diego Remus explica que Toronto é uma cidade em que apenas metade dos moradores nasceram no Canadá. "Essa proporção é uma das mais altas do mundo, e faz com que o tempo inteiro a gente conviva com diversas etnias e culturas. Muitas vezes as pessoas têm características bem visíveis, inclusive por motivos religiosos, e outras vezes, parecem tão ocidentais quanto os demais, mas revelam uma trajetória de vida inimaginável. Ouvi histórias pessoais surpreendentes desde o primeiro dia. Aqui todos se unem no objetivo de conviver como pertencentes da mesma raça, a única, a raça humana", comenta Diego.

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Dica de viagem

 

Foto: Divulgação / Tudo & TodasFabiana Kist de Almeida, empresária à frente da Tânia Novidades
Fabiana Kist de Almeida, empresária à frente da Tânia Novidades

 

Seja para uma temporada mais longa, seja para encher a mala de lembrancinhas da viagem, o certo é que sempre "falta espaço". Para garantir um maior volume de itens pessoais transportados, algumas dicas podem ajudar. Procure por malas leves, que não te "roubarão quilos" na hora da pesagem no check in. Opte por modelos com zíperes extensores e divisões, ideais para adaptar a bagagem conforme a necessidade. Ainda, necessaires e sacos plásticos à vácuo podem ajudar na organização, e também na diminuição do volume dos itens. E claro, a boa tática de dobrar as roupas em rolinhos. Sempre ajuda!'

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Idiomas mais importantes

A Fundação Estudar Fora, uma das maiores referências no Brasil em preparação de estudantes para formação acadêmica no exterior, divulgou o ranking de idiomas cuja fluência é mais importante para brasileiros. A lista é baseada nas oportunidades oferecidas pela instituição:

1. Inglês
2. Espanhol
3. Chinês
4. Alemão
5. Francês

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