Quando é que você parte, mesmo?

Viagem por: Demétrio de Azeredo Soster em: 28/09/2016 | 09:30

A Operação Banda Oriental está chegando em uma etapa curiosa: a pouco menos de quatro meses da hora de partir, e a pouco mais de seis meses desde que a decisão foi tomada - em meados de abril - os preparativos chegaram a uma espécie de limbo existencial, onde pouco, ou quase nada, de diferente acontece.

Calma que eu explico.

No começo, e os que me acompanham aqui no site devem lembrar, tudo eram flores: recordes pessoais quebrados, a cada semana um equipamento novo, desafios em série, erros, acertos os mais diversos; sonhos, muitos sonhos, caminhos antes nunca percorridos, e por aí afora.

Não que isso tenha mudado; melhor dizendo, não que as descobertas não sigam ocorrendo a cada nova pedalada: tudo isso está lá, em seu devido lugar, mas a intensidade não é mais a mesma.

Foto: Arquivo Pessoal / Tudo & TodasPedalada
Pedalada em direção a Pantano Grande

Ou seja, estou amadurecendo, ficando pronto, preparado, e isso significa, em termos práticos, que logo terá chegado a hora de partir.

E sabe o que é melhor? Estou tranquilo - um pouco ansioso, é verdade; mas tranquilo: a hora, como disse, está para chegar; e, quando isso ocorrer, estarei preparado.

O mesmo não posso dizer, no entanto, de meus queridos amigos e parentes, que tanto torcem por mim.

Na relação com o pessoal, próximo ou distante, a situação é um pouco mais complicada.

Tipo: a cada pessoa que encontro, cada vez que digo de minha viagem a alguém, a pergunta, inevitável, acontece: 'Tá, mas, afinal de contas, quando é mesmo que você vai?'

Se não for essa, são as variações: 'Você vai sozinho mesmo?' (Sim, gente, eu vou sozinho...); 'Não tem medo?' (Não, não tenho...), ou, ainda, 'Tá, mas a Fabi e o Pedro vão de carro, atrás, né?' (Jesuis...)

Estou começando a achar, inclusive, que, para o bem de minha sanidade mental, talvez eu devesse antecipar a viagem, montar com o photoshop umas fotos em que eu apareça em alguma estrada do Uruguai e postar no face, pedir que algum amigo de lá poste no twiter que me viu passar por pela Ruta 1, essas coisas...

Enquanto não me vem à cabeça uma ideia melhor; afinal, são meus amigos, e estão preocupados - é preciso ser gentil, sigo firme, pedalando, e aprendendo.

Dia dessas, por exemplo, descobri o que não havia percebido, ainda: que, no verão, a neblina pega logo cedo por estes lados, e que, quando isso acontece, não dá para deixar o farolete dianteiro em casa, como deixei.

Foto: Arquivo Pessoal / Tudo & TodasNeblina faz lembrar que não é possível esquecer o farolete dianteiro em casa
Neblina matinal faz lembrar que não é possível deixar o farolete dianteiro em casa

Foi o que aconteceu outro dia, quando fui e voltei de Pantano Grande pela RS-471, total de 105,75 km percorridos nos dois sentidos; velocidade média de 19,4 km/h, máxima de 44,9 km/h, pulso em 130 bpm na chegada.

A neblina me encontrou em Santa Cruz, ainda, e me deixou somente em Rio Pardo, 35 km depois.

É dizer, por outras palavras, que pedalei no escuro, literalmente por uma hora e meia, pelo menos, e que não posso mais esquecer disso, pois pode ser muito perigoso e tals.

Claro que, depois, o sol apareceu no céu, todo lindão, e aí meus problemas voltaram a ser basicamente o calor e a ausência do protetor solar, mas essa história já contei.

Bora pedalar, então gente; que logo logo terá chegada a hora de partir.

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