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Vida na Suíça: a adaptação escolar das crianças

Viagem por: Tita Becker em: 29/09/2017 | 14:00

Foto: Arquivo Pessoal / Tudo & TodasHenrique na frente de sua escola
Henrique na frente de sua escola

A minha maior preocupação (e talvez uma das únicas) em vir para a Suíça, era sobre como seria a adaptação das crianças na escola. Quando saímos do Brasil, a única coisa que sabíamos é que eles iriam para uma escola pública e começariam a estudar em agosto, quando inicia o ano letivo por aqui. Como viemos na metade de maio, eles tiveram longas férias e tempo para se adaptarem com a rotina daqui.

Foi apenas duas semanas antes de começar as aulas que ficamos sabendo para qual colégio iriam. Aqui, como no Brasil, a criança vai para a escola mais perto da sua casa. Apesar de ser uma cidade pequena (32 mil habitantes), há muitas escolas, divididas em cinco centros.

O Henrique vai no Collège des Acacias, que pertence ao Centre du Mail, mas a sala de aula dele não fica no colégio, e sim no térreo de um prédio residencial, a 200 metros aqui de casa. Recebemos o endereço e foi difícil de encontrar, pois não há nenhuma placa indicando que ali havia uma escola. É a única classe, onde estudam as crianças do Ciclo 1, nível 1 e 2 juntos. Fazem essas extensões de escola para que as crianças fiquem perto de suas residências. Porém, a educação física (gyn) é feita no Collège des Acacias, e eles vão à pé até lá, em torno de 500 metros morro acima, faça chuva, sol ou neve.

Mães como eu, acostumadas a levar seus filhos para a escola de carro, ficam um pouco assustadas (e preocupadas) com isso, mas por aqui é muito normal. Mãe também precisa se adaptar à nova rotina escolar! O Henrique está no 1º ano, e tem aula somente no turno da manhã, com folga as quintas.

Foto: Arquivo Pessoal / Tudo & TodasJúlia voltando de ônibus com a amiga
Júlia voltando de ônibus com a amiga

A Júlia acabou indo para outro centro escolar, Centre des Terraux, no Collège des Sablons, pois ela está em uma 'Classe de Acolhida', onde só estudam crianças que vem de outros países e não possuem fluência na língua francesa ou dificuldade de aprendizagem. Ela está no Ciclo 2, 7º ano, e a ênfase no estudo é língua francesa e matemática, além das aulas que tem à tarde, de educação física (feita em um centro de esportes), bricolagem (em outra escola) e desenho. Geralmente as crianças ficam um ano nessa turma antes de irem para uma regular, dependendo do seu desempenho. Na reunião de pais da turma da Júlia, a professora nos falou que provavelmente ela vai para a turma regular no fim do ano, pois está desenvolvendo muito bem o francês e tem ótimo desempenho em matemática, o que nos deixou cheios de orgulho!

Mas e quanto a tão assustadora adaptação? Tiraram de letra! O Henrique foi feliz da vida para a escola, pois assim teria crianças para brincar. Teve uma recaída na segunda semana, quando a novidade passou e ele se deu conta que não entendia ninguém. Foram dois dias de choro, mas com muita conversa, carinho e atenção da professora, tudo voltou ao normal. Agora continua sua vida escolar muito tranquilo, aprendendo cada dia mais a língua francesa e fazendo amiguinhos.

Vamos à pé para a escola, faça chuva ou faça sol (a neve ainda não chegou), o que ele adora. A Júlia logo fez amizade com uma colega que mora no nosso condomínio, que veio da Indonésia para passar um ano aqui na Suiça (sua mãe também trabalha na Phillip Morris). As duas comunicam-se em inglês, o que foi uma surpresa para nós. Ela fez três anos de curso de inglês em Venâncio, mas nos surpreendeu quando a vimos entendendo e falando tão bem essa língua. Quanto ao francês, está cada dia melhor. Não teve nenhuma dificuldade em se adaptar à nova rotina escolar, sendo aqui bem diferente do Brasil.

Frequenta aulas pela manhã e à tarde, voltando para almoçar em casa. Acompanhei ela no ônibus apenas uma vez (aqui não há ônibus escolar) e depois começou a ir sozinha com a amiga. Tem sido um aprendizado incrível para ela, convivendo com crianças de vários lugares, como Itália, Espanha, Indonésia, Albânia, Somália, Romênia e outros.

Mais uma vez fica provado que não devemos nos preocupar antes do tempo, e que no final, tudo dá certo. Mamãe tranquila agora, vendo seus filhos felizes mesmo enfrentando um desafio tão grande quanto o da comunicação. Parabéns aos meus maravilhosos filhos!

À bientôt!

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